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Aquecedores, fogões e lareiras são úteis, mas podem matar

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No caso dos aquecedores a gás, o ideal é que o ambiente tenha ventilação fixa, na parte inferior e na superior da parede - Foto: Aspirante Schumacher/ Divulgação

O início da estação mais fria do ano, faz crescer o consumo de aquecedores elétricos, lareiras, e outros métodos utilizados para aquecer a residência, principalmente aqui na Serra Catarinense, onde são registradas temperaturas muito baixas.

Historicamente, também ocorre nesse período a maior incidência de incêndios domésticos, o que demanda uma maior atenção com relação aos equipamentos eletrônicos e materiais inflamáveis. Os aquecedores são um dos grandes vilões, tanto os modelos a gás como os elétricos.

O aspirante Schumacher do Corpo de Bombeiros de Lages alerta para o alto consumo de energia elétrica dos aquecedores, o que demanda uma instalação adequada capaz de suportar sua potência.

A não observação deste ponto deixa o ambiente mais propenso ao risco de curto-circuito, superaquecimento da fiação e faíscas, o que pode causar um incêndio, ainda mais se estiver próximo a tecidos, madeira e outros materiais inflamáveis, algo comum em casas e apartamentos, com espaço reduzido. 

Já nos modelos a gás, o grande risco está nos vazamentos e na concentração de gás causado pela má ventilação do local. Como nesse período os moradores costumam manter todas as janelas fechadas, qualquer falha na instalação do equipamento ou na exaustão pode fazer com que uma grande quantidade de gases prejudiciais à saúde, como o monóxido de carbônico, acumule-se no local, o que pode causar asfixia. E o risco é maior nesse caso, devido a sua difícil identificação, como alerta o bombeiro Gonçalves.

“É muito rápido o acúmulo dos resíduos causados por um aquecedor a gás, e é praticamente imperceptível. Qualquer descuido pode causar desmaios, ou até mesmo a morte por asfixia. Por essa razão é necessário redobrar a atenção quanto a ventilação do local, além de instalar detectores de fumaça e de monóxido, para minimizar os riscos”, explica Schumacher.

Assim, a grande preocupação no inverno reside na prevenção de incêndios dentro da residência, observando a correta instalação dos aquecedores, ventilação do imóvel, e redobrando o cuidado com o uso de velas e lareiras, principalmente quando próximos de cortinas, tapetes e outros tecidos.

Os casos de asfixia ou intoxicação por queimadores são menos frequentes  mas passíveis de acontecer com o aquecedor de passagem da água, o fogão a lenha, churrasqueiras, lareiras e qualquer ambiente, até mesmo o fogão normal. 

O ar atmosférico normal tem 21% de oxigênio. Abaixo de 12% ele é incompatível com a vida. Todo ambiente que tenha uma queima, tem que ter ventilação permanente e forma de renovar esse oxigênio.  “Colocar oxigênio para dentro desse ambiente com atividade de queima e retirar esses gases da combustão para o ambiente externo porque eles são tóxicos disse o bombeiro Gonçalves.”. Quando a chama tem a cor amarelada é sinal de queima incompleta, pois está gerando monóxido de carbono.

A pessoa desmaia em apenas cinco minutos

Em ambiente de pouco oxigênio e que há queima, os sintomas vão progredindo. Começa dor de cabeça, no peito e desmaio, até chegar ao óbito. Para se ter uma ideia, em ambientes com concentração de 0,5% de monóxido de carbono, a pessoa pode perder os sentidos em apenas cinco minutos.

O problema do monóxido de carbono é que ele é altamente tóxico. “Liga a hemoglobina do sangue e forma carboximoglobina e o CO (gás carbônico). A partir do momento que o monóxido se liga com a hemoglobina ele não solta mais, então aquela hemoglobina não vai mais fazer transporte de oxigênio no sangue.

O risco é tão grande porque mesmo que se tire essa pessoa do ambiente, faça tratamento por exemplo com oxigenoterapia, dê oxigênio para ela respirar, aquelas hemoglobinas que se juntaram com o CO  não vão mais transportar oxigênio e a pessoa só vai poder usar as outras que não estão intoxicadas, então se passa muito tempo nesse ambiente pode ser irreversível”,explica o aspirante.

Materiais combustíveis

Às vezes, o fogo começa na madeira de construção da própria casa ou em outros materiais combustíveis. Além disso, a chaminé que leva aqueles gases, se mal instalada, pode ser causa de incêndio, pois a fumaça e os gases passam pela parede de madeira, ou pelo teto e forro, que normalmente são de madeiras.

“Os gases quentes aquecem a chaminé e o contato pode causar incêndio”, explica. Por essa razão, é importante ter uma manutenção frequente para que nenhum material combustível tenha contato direto com essas superfícies aquecidas.

Outra forma de ocorrer um incêndio seria por chama direta. Uma fagulha da lareira ou do fogão a lenha que se desprende, pega em algum material combustível e queima ou a própria brasa, quando ela não está bem apagada. A pessoa descarta a cinza em recipiente impróprio e pode ocorrer combustão.

A recomendação é que o proprietário da residência esteja sempre em contato com o engenheiro responsável pela parte elétrica e caso perceba, que por algum motivo está tendo algum tipo de curto ou deterioração na fiação elétrica, faça a troca da fiação. 

“Isso é bem comum em residências mais antigas, às vezes da década de 70, 80 a pessoa comprou a casa ou o apartamento e já foi morar sem fazer a revisão da fiação elétrica”, explica. Além disso, com o tempo foram surgindo eletrodomésticos e ela começa a usar esses aparelhos em conjunto, até cair o disjuntor.  A pessoa só substitui o disjuntor, sem se dar conta de que a fiação não está dimensionada para aquela corrente elétrica, assim pode sobrecarregar e causar acidentes.

Gambiarras

A rede elétrica é mais um item que exige cuidados especiais, principalmente com as instalações provisórias. É comum as pessoas colocarem um monte de equipamentos na mesma extensão, as famosas gambiarras.

O “T” (multiplicador de tomadas) é concebido para ser usado com duas ou três entradas e não se deve colocar um “T” conectado em outro “T”, ou seja, seis fontes de consumo em uma única tomada. 

Gás tem cheiro?

O odor característico que sentimos não é exatamente do gás, pois este em seu estado puro é inodoro, ou seja, não possui qualquer cheiro. O que pensamos ser proveniente do gás é na verdade um odor artificial adicionado ao combustível, para que assim possamos detectar possíveis vazamentos.

Por outro lado, alguns gases perigosíssimos não têm cheiro algum. Um deles é o monóxido de carbono (CO), que praticamente não tem odor e é produzido, por exemplo, com a queima de combustível.

Daí a razão de não ser aconselhável permanecer com o carro ligado numa garagem fechada: expor-se a altas doses de CO, por algum tempo, faz com que o sangue reduza a capacidade de carregar oxigênio, podendo até levar à morte por asfixia.

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