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Aids e Sífilis: números são alarmantes para Lages

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Foto: Blogcoperforte/ Divulgação

Lages, aparece, mais uma vez, em um ranking nacional. Desta vez, na lista dos 100 municípios, com mais de 100 mil habitantes e que apresentam grandes índices de pessoas detectadas com o vírus HIV ou a doença Aids.

A cidade da Serra Catarinense está em nono lugar, atrás de cidades como Porto Alegre, Rio Grande, Alvorada, Novo Hamburgo, Itajaí, Uruguaiana, Manaus e Belém. Com os dados alarmantes, a previsão é que o município piore ainda mais sua posição.

É que depois da divulgação da pesquisa a Gerência de Vigilância Epidemiológica de Lages intensificou as testagens na população, com isso, aumenta o número de casos notificados.

Semelhante ao Brasil, Lages vive uma epidemia de doenças sexualmente transmissíveis, além do HIV/Aids chamar a atenção, outra doença que está em evidência é a sífilis, só nestes três primeiros meses, 134 casos de sífilis, em adultos, foram identificados. No ano passado foram 422 casos.

A coordenadora da IST/Aids/HIV da Vigilância Epidemiológica, Kelly Cavani Cardoso, explica que apesar da sífilis ter tratamento, os profissionais da saúde observam, que quando as mulheres buscam pelos medicamentos, os parceiros, na maioria das vezes, não fazem o tratamento e, pela cultura, muitos não usam camisinha, por preconceito ou até machismo.

HIV/AIDS

A gerente da vigilância, Sumaya Pucci, destaca que o aumento no número de casos detectados em Lages, de HIV e Aids está associado com o aumento dos testes feitos na cidade. Hoje, todas as Unidades de Saúde, Pronto Atendimento Tito Bianchini e hospitais públicos e particulares estão aptos a realizarem o exame que identifica se a pessoa está com o vírus ou a doença.

Apesar de mais pessoas estarem sendo examinadas, a vigilância consegue tratar o vírus HIV para que não se transforme. “Se fizer o tratamento de 6 meses a doença não é detectada e ele não será o transmissor”, explica Kelly. O objetivo é identificar quem são os pacientes doentes para tratar.

Em contrapartida, mesmo depois de descobrirem que são portadores do vírus, muitos não aderem ao tratamento. Para completar, aproximadamente 50% das pessoas não usam preservativo. Em Lages, 90% das transmissões de HIV/Aids ou sífilis são por relações sexuais.

A sigla Aids significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O vírus da Aids é conhecido como HIV e encontra-se no sangue, no esperma, na secreção vaginal e no leite materno das pessoas infectadas pelo vírus. Objetos contaminados pelas substâncias citadas, também podem transmitir o HIV, caso haja contato direto com o sangue de uma pessoa.

Doença pode se manifestar dez anos depois

Após o contágio, a doença pode demorar até 10 anos para se manifestar. Por isso, a pessoa pode ter o vírus HIV em seu corpo, mas ainda não ter Aids. Ao desenvolver a Aids, o HIV começa um processo de destruição dos glóbulos brancos do organismo da pessoa doente.

Como esses glóbulos brancos fazem parte do sistema imunológico (de defesa) dos seres humanos, sem eles, o doente fica desprotegido e várias doenças oportunistas podem aparecer e complicar a saúde da pessoa. A pessoa portadora do vírus HIV, mesmo não tendo desenvolvido a doença, pode transmiti-la.

12 bebês nasceram com sífilis, somente este ano

O aumento no número de casos de sífilis faz com que a vigilância redobre a atenção em relação aos pacientes e pessoas que estão com a doença, mas não fazem o tratamento. Só neste ano, 12 bebês nasceram com sífilis em Lages. No ano passado foram 60 crianças. A doença tem tratamento.

A sífilis pode ser transmitida de uma pessoa para outra durante o sexo sem camisinha com alguém infectado, por transfusão de sangue contaminado ou da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto. O uso da camisinha em todas as relações sexuais e o correto acompanhamento durante a gravidez são meios simples, confiáveis e baratos de se prevenir contra a sífilis.

Os primeiros sintomas da doença são pequenas feridas nos órgãos sexuais e caroços nas virilhas (ínguas), que surgem entre 7 e 20 dias após o sexo desprotegido com alguém infectado. A ferida e as ínguas não doem, não coçam, não ardem e não apresentam pus.

Mesmo sem tratamento, essas feridas podem desaparecer sem deixar cicatriz mas a pessoa continua doente e a doença se desenvolve. Ao alcançar certo estágio, podem surgir manchas em várias partes do corpo (inclusive mãos e pés) e queda dos cabelos.

Após algum tempo, que varia de pessoa para pessoa, as manchas também desaparecem, dando a ideia de melhora. A doença pode ficar estacionada por meses ou anos, até o momento em que surgem complicações graves como cegueira, paralisia, doença cerebral e problemas cardíacos, podendo, inclusive, levar à morte.

Todas as pessoas sexualmente ativas devem realizar o teste para diagnosticar a sífilis, principalmente as gestantes, pois a sífilis congênita pode causar aborto, má formação do feto e/ou morte ao nascer.

O teste deve ser feito na 1ª consulta do pré-natal, no 3º trimestre da gestação e no momento do parto (independentemente de exames anteriores). O cuidado também deve ser especial durante o parto para evitar sequelas no bebê, como cegueira, surdez e deficiência mental.

Saiba mais

Diagnóstico HIV

O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito em laboratórios, a partir da realização de testes sorológicos e moleculares, ou durante a consulta médica.

Uso do preservativo

A camisinha, tanto a masculina como a feminina, é o método mais eficaz para se prevenir de muitas doenças sexualmente transmissíveis.

Formas de transmissão

  • Sexo sem camisinha – pode ser vaginal, anal ou oral.
  • De mãe infectada para o filho durante a gestação, o parto ou a amamentação – também chamado de transmissão vertical.
  • Uso da mesma seringa ou agulha contaminada por mais de uma pessoa.
  • Transfusão de sangue contaminado com o HIV.
  • Instrumentos que furam ou cortam, não esterilizados.

Tratamento como prevenção

O uso de medicamentos antirretrovirais faz com que as pessoas vivendo com HIV/AIDS alcancem a chamada ‘carga viral indetectável’. As evidências científicas também mostram que pessoas vivendo com HIV/AIDS que possuem carga viral indetectável, além de ganharem uma melhora significativa na qualidade de vida têm uma chance muito menor de transmitir o vírus a outra pessoa.

Gravidez depois do diagnóstico

Além de ser um direito garantido por lei, as mulheres soropositivas podem ter uma gravidez tranquila, segura e com muito baixo risco de que seu bebê nasça infectado pelo HIV, caso faça o correto acompanhamento médico e siga todas as recomendações e medidas preventivas explicadas acima.

HIV em gestantes

A taxa de transmissão do HIV de mãe para filho durante a gravidez, sem qualquer tratamento, pode ser de 20%. Mas em situações em que a grávida segue todas as recomendações médicas, a possibilidade de infecção do bebê reduz para níveis menores que 1%.

As recomendações médicas são: o uso de remédios antirretrovirais combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não amamentação.

Redução da mortalidade

Em torno de 500 pessoas por ano morrem de Aids em Santa Catarina. O diagnóstico precoce, adesão ao tratamento e uma rede de assistência capaz de acompanhar o indivíduo com Aids de perto são as principais ações para que este agravo não seja a causa da morte dos catarinenses. A qualidade de vida deve ser o objetivo dos pacientes e dos serviços de saúde.

  • Qualidade de vida
  • Meta 90-90-90

Em 2014, a UNAIDS/OMS lançou uma meta mundial que visa contribuir para o fim da Aids como epidemia até o ano de 2030. Esta meta consiste em diagnosticar 90% das pessoas portadoras de HIV, tratar com antirretrovirais 90% das pessoas diagnosticadas, e conseguir supressão viral, ou seja, carga viral indetectável, em 90% das pessoas em tratamento.

Aids em Santa Catarina

A epidemia de Aids em Santa Catarina está concentrada em 12 das maiores cidades do estado: Florianópolis, Brusque, Itajaí, Lages, Palhoça, Balneário Camboriú, São José, Joinville, Criciúma, Chapecó, Blumenau e Jaraguá do Sul. Esses municípios possuem taxas de detecção de Aids e de mortalidade por Aids maiores ou muito próximas das taxas do Brasil.

AIDS/HIV

  • Lages em 9º lugar no ranking nacional
  • 41 pessoas com  detectadas AIDS em 2017
  • 3 pessoas com  detectadas AIDS em 2018
  • 52 pessoas detectadas com HIV em 2017
  • 17 pessoas detectadas com HIV em 2018
  • De 2007 a 2017 – 194.217 casos de infecção pelo HIV no Brasil
  • De 2007 a 2017 – 30.297 casos de infecção pelo HIV no sul do país.

SÍFILIS em LAGES

  • 422 casos de sífilis adquirida em 2017
  • 134 casos de sífilis adquirida em 2018
  • 76 gestantes com sífilis em 2017
  • 60 bebês nasceram com sífilis em 2017
  • 17 gestantes com sífilis em 2018
  • 12 bebês nasceram com sífilis em 2018

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“Não teve como reverter”, diz médico sobre morte de paciente

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O Pronto Atendimento tem sofrido com a superlotação, o que acaba sobrecarregando o trabalho da equipe de médicos e enfermeiros - Foto: Adecir Morais

O diretor técnico do Pronto Atendimento de Lages, Pedro Iung disse, nesta terça-feira (17), que a equipe que atua na unidade fez de tudo para evitar a morte de uma mulher, de 55 anos, que deu entrada no local, na última segunda (16). Ele narrou a cronologia dos fatos e garantiu que todo o atendimento foi feito dentro do que determina o protocolo de atendimento.

De acordo com ele, a paciente, que morava em São José do Cerrito, chegou na unidade às 14h47, trazida por familiares. Às 14h51, passou pelo setor de enfermagem, quatro minutos mais tarde, recebeu atendimento de médicos e enfermeiros na sala de emergência. Ela morreu após sofrer uma parada respiratória, depois de sucessivas manobras na tentativa de reanimá-la.

Pedro afirmou que a mulher deu entrada na unidade em estado grave e com sintomas de infarto. No setor de emergência, recebeu todo o atendimento necessário. “A paciente chegou em estado gravíssimo, não teve como reverter [a morte]”, declarou o diretor, salientando que a mulher tinha histórico de pressão alta, diabetes, tabagismo e infarto.

Em relação a uma possível queda da paciente enquanto recebia atendimento, o diretor destacou que, ao tentar levantar-se da maca, ela foi acudida por uma enfermeira, mas “escorregou” e ficou de “joelhos no chão”, sendo socorrida imediatamente pela equipe de enfermagem.

“Em absolutamente nenhum momento a paciente ficou sozinha ou deixou de ser atendida. Infelizmente, a morte aconteceu em decorrência do problema cardíaco, conforme consta no atestado de óbito”, reforçou uma nota encaminhada pela Secretaria Municipal de Saúde. O CL não conseguiu contato com familiares da mulher.

Onde buscar atendimento

Em Lages, existem dois estabelecimentos que atendem casos de urgência e emergência (Pronto Atendimento e Hospital Nossa Senhora dos Prazeres – HNSP). O diretor explicou que, pelo SUS, quando um paciente apresenta sintomas de infarto, precisa ser atendimento no Pronto Atendimento primeiro.

Nesta unidade, é avaliado o tipo de atendimento que o paciente precisa. Se houver diagnóstico de infarto, o médico encaminha o caso ao setor de emergência do HNSP, referência regional em cardiologia.

A unidade avançada do Samu também pode encaminhar casos de infarto para este setor. Pacientes que vêm do interior, encaminhados com diagnóstico, também são levados para este setor. Todos os atendimentos de urgência e emergência em Lages, exceto os casos de acidente de trânsito, precisam ser atendidos no Pronto Atendimento.

Vale lembrar que esta unidade, tem sofrido nos últimos dias com a superlotação, o que acaba sobrecarregando o trabalho da equipe médica e de enfermagem da unidade. Só nesta terça, havia 26 pacientes aguardando vagas em hospitais do município, sem falar de dezenas de pacientes que esperavam nos corredores.

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Polícia Militar realiza Operação 4000 em toda a Serra Catarinense

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Foto: Polícia Militar/ Divulgação

Mais de quatro mil policiais trabalharam na Operação 4000, que ocorreu em todo o estado de Santa Catarina nos dias 6, 7, 13 e 14 de julho. Na Serra Catarinense, a ação foi liderada pelo comandante da 2ª Região de Polícia Militar, Coronel Moacir Gomes Ribeiro. Os 21 municípios contaram com o apoio de 250 policiais do 6º BPM, Polícia Militar Ambiental, Cavalaria e Central Regional de Emergências.

Nos quatro dias de trabalho ostensivo, foram abordadas 1131 pessoas durante vistoria em 197 estabelecimentos comerciais. Nas 67 barreiras de trânsito foram atendidos 586 motoristas.

Na região de São Joaquim, que contempla ainda as cidades de Painel, Urubici, Urupema e Bom Jardim da Serra, foram realizadas 27 barreiras policiais e abordados 180 veículos. A PM esteve em 38 estabelecimentos, onde abordou 254 pessoas. Foi lavrado um termo circunstanciado por posse substância análoga à maconha, duas armas de fogo apreendidas e uma arma branca.

Em Otacílio Costa, Correia Pinto, Palmeira e Ponte Alta a Operação registrou 28 barreiras policiais e abordou 156 veículos, três deles foram removidos. A polícia fez vistoria em 59 estabelecimentos comerciais e abordou 321 pessoas nestes espaços. Houve apreensão de substância semelhante à maconha, duas CNHs recolhidas e dois estabelecimentos sem alvará.

Este tipo de ação policial tem um cunho educativo e busca reduzir a criminalidade, em especial, a letalidade violenta, vias de fato, furto, roubo e fatos relacionados com a violência contra mulheres, que no geral estão ligadas direta ou indiretamente a ingestão de bebidas alcoólicas e uso de drogas.

Por Catarinas Comunicação

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Defensoria Pública realiza força-tarefa no sistema prisional

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Defensor público Anderson Ouriques, que atua em Lages - Foto: Adecir Morais

A Defensoria Pública de Santa Catarina começou, ontem, uma força-tarefa no sistema prisional do Estado. O objetivo é analisar mais de sei mil processos de detentos do regime semiaberto, beneficiando aqueles internos que estão cumprindo pena de maneira irregular.  Os trabalhos seguirão até 14 de dezembro.

A força-tarefa, que já chegou à nona edição, envolve 25 defensores públicos em todo o Estado. Em Lages, serão analisados processos de detentos do Presídio Regional, que atualmente abriga 171 internos do semiaberto, isto é, a unidade comporta um número maior de sua capacidade.

Conforme o defensor público em Lages, Anderson Ouriques, Santa Catarina tem, atualmente, 4.903 presos no regime semiaberto, destes, 3.303 estão cumprindo pena no regime fechado por falta de vagas, o que contraria a legislação.

Com o mutirão, a ideia é fazer cumprir a Súmula Vinculante 56 do Superior Tribunal Federal (STF), de 2016, que estabelece que a falta de vagas em estabelecimento adequado nas prisões, não autoriza a manutenção do condenado na prisão em regime pior.

A ideia da força-tarefa é fazer com que os detentos que já estejam próximos de cumprir a pena, possam usar tornozeleira eletrônica em prisão domiciliar. O Estado tem 600 tornozeleiras. Além disso, a Defensoria vai pedir a liberação do interno que estiver perto de cumprir a pena.

Anderson destacou que a falta de vagas é um problema do sistema prisional catarinense. Atualmente, o Estado conta com mais de 20 mil detentos no total, cerca de 4,5 mil a mais que o número de vagas, que é de 16.309.

Regime semiaberto

O semiaberto é um dos três tipos de regimes de cumprimento das penas privativas de liberdade previstas no ordenamento jurídico, com base no Código Penal e na Lei de Execução Penal. Os outros dois são o regime aberto e o fechado.

Por lei, o preso deste regime tem o direito de trabalhar, dentro (em pequenas empresas no interior da unidade) ou fora da prisão (quando é liberado da carceragem pela manhã para trabalhar e volta no final da tarde). Além de progressão da pena (a cada três dias trabalhados, o preso tem o direito a um dia de redução da pena que cumpre), o benefício é uma forma de ressocialização.

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