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Adequação de serviço reflete em 45% de reajuste no serviço

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Em abril, cerca de 600 caçambas deixaram de ser recolhidas em Lages, por causa da mudança na forma de descarte - Foto: Núbia Garcia

Após a criação da Diretoria de Saneamento e Resíduos Sólidos, que é subordinada à Semasa, no início de 2019 a Prefeitura de Lages determinou que os resíduos inservíveis (como madeira podre, móveis, espuma e isopor, dentre outros) não poderiam mais ser descartados no aterro sanitário do município como era feito até então. A determinação visa a atender a Política Nacional de Resíduos Sólidos, em vigor desde 2010.

Com a determinação e sem prazo para adequação, empresários do ramo precisaram buscar uma alternativa e, até que encontrassem uma solução, cerca de 600 caçambas de lixo (papa-entulho) deixaram de ser recolhidas.

Durante o mês de abril, era comum encontrar caçambas cheias pelas ruas da cidade, que não puderam ser recolhidas porque não havia uma forma de fazer o descarte adequado, tampouco era possível armazenar todas nos pátios das empresas.

Os empresários Alaor Machado, Daniel Lessa e Junei Della Giustina fazem parte de um grupo que se mobilizou em busca de uma alternativa. A solução encontrada foi destinar os resíduos inservíveis para o aterro industrial de Otacílio Costa, o que acarretou outro transtorno: como agora é preciso pagar frete do material e o preço pelo descarte de inservíveis é mais alto, o aluguel da caçamba aumentou e um reajuste de 45% precisou ser repassado aos clientes. Apesar disso, a coleta voltou a ser feita na semana passada. Este, apesar de ser um serviço privado, é de utilidade pública.

Alaor destaca que, mesmo com o aumento repassado aos consumidores, o lucro das empresas diminuiu. “Esse aumento, simplesmente, é o repasse do que a gente sofreu [aumento do custo]. Na verdade, as empresas não estão ganhando em cima, não tivemos aumento real. Estamos cobrindo o custo,” explica.

Junei teme que nas próximas semanas o valor precise ser novamente reajustado. “Isso vai trazer mais impactos. Por isso, a gente gostaria de agradecer a paciência que a comunidade teve, pois sabemos que não foi agradável ficar com aquela caixa mal-cheirosa na frente de casa,” comenta.

Daniel acredita que o aumento do preço cobrado aos clientes pode impactar diretamente na contratação do serviço. “O cliente contratava um serviço que custava R$ 160 para limpar seu terreno e já achava caro. Essa pessoa não vai pagar R$ 220. Vai descartar o lixo de qualquer jeito e aumentar o caos,” avalia. De acordo com os empresários, cerca de 60% das contratações de empresas do ramo são feitas por pessoas físicas, para limpeza de terrenos e descarte de resíduos de pequenas obras.

Alternativa

O diretor de Saneamento e Resíduos Sólidos, Milton Matias Filho, explica que quando houve a criação da diretoria, a Prefeitura determinou a imediata suspensão do recebimento de resíduos inservíveis, pois o aterro sanitário de Lages não é próprio para o descarte deste tipo de material.

“Foi detectado o problema que é passível de responsabilidade [por crime ambiental]. Se eu sou omisso, também vou responder. O gestor teve a atitude correta. Se nos outros anos foi feito errado, ele não queria assumir o erro”, afirma.

Milton afirma que, por enquanto, não existe uma medida efetiva que possa ser tomada pela Prefeitura para auxiliar as empresas e reduzir os custos. Porém, uma alternativa apontada por ele seria a criação de um aterro industrial em Lages que fosse administrado por uma empresa particular (a exemplo de Otacílio Costa).

“Existe a intenção [de criar o aterro]. Já apresentei isso ao secretário [Jurandi Agustini, da Semasa] e tem que apresentar ao prefeito [Antonio Ceron]. A partir daí, vamos buscar uma solução”, comenta.

Triagem

O empresário Melvy Almeida Neto é um dos proprietários de uma empresa que faz triagem de resíduos da construção civil em Lages. Ele recebe as caçambas (papa-entulhos) das empresas da cidade, faz a separação dos materiais recolhidos e dá a destinação correta.

Tudo o que é passível ser reciclado ou reutilizado é vendido e, até a proibição da Prefeitura, os resíduos inservíveis eram enviados para o aterro sanitário de Lages (agora são enviados para Otacílio Costa).

Enquanto a adequação não foi feita, Melvy passou vários dias sem receber caçambas, mas agora o recebimento voltou a acontecer normalmente. Após a adequação, com o aumento dos custos, ele garante que sente os impactos: se antes chegava a receber 30 caçambas por dia, agora recebe só a metade.

Política Nacional de Resíduos Sólidos

A Lei nº 12.305/10, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos contém instrumentos importantes para permitir o enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.

Refere-se à prevenção e à redução na geração de resíduos, tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização dos resíduos sólidos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado) e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos (aquilo que não pode ser reciclado ou reutilizado).

Fonte: Ministério do Meio Ambiente

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