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A história de Janaína, uma das vítimas mais graves do atropelamento

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A coleção de bibelôs de Janaína fica exposta em sua penteadeira, junto aos seus porta-retratos - Foto: Vinicius Prado

Vaidosa e independente, Janaina Antunes Corrêa, sempre se virou sozinha. A deficiência auditiva nunca lhe impediu de sair por aí e fazer seu caminho. Gosta muito de passear pelo Centro e pelas lojas. Um de seus hobbies é colecionar bibelôs de resina, ainda mais os de anjinhos, que têm nas lojas de R$ 1,99.

Cristã e evangélica, frequenta a Igreja Internacional da Graça de Deus, do R.R. Soares, e sempre leva consigo uma bíblia na bolsa. Surda desde que nasceu, Janaína, sempre foi ativa e quase nunca precisou de ajuda para fazer as coisas. Um pouco brava, resolveu largar os estudos no quarto ano do ensino fundamental, porque não se adaptou a rotina da escola e aos colegas.

Até frequentou a Associação dos Pais e Amigos dos Surdos (Apas), mas também não gostou muito e logo parou de ir. Em casa, se comunica tranquilamente com os familiares, mas por leitura labial, principalmente com seus pais, já idosos. Sua irmã, Adriana Corrêa, consegue conversar através de libras, porque aprendeu durante o curso de pedagogia.

A organização com cada detalhe no quarto de Janaína, mostra o zelo que ela possui com suas coisas. Em cima da cama, estão algumas das coisas que carregava em sua bolsa, como a sua bíblia, um jornal da Igreja Universal, documentos, um livro sobre fé e outros objetos pessoais.

Uma de suas irmãs, Andreia das Graças Corrêa, dobrava suas roupas que estavam no varal, que ela havia deixado, antes de sair para ir ao Centro naquele dia. “Ela é muito asseada com as coisas”. Janaína mora ainda com os pais e é uma das sete irmãs mais novas da família, e também possui mais três irmãos.

>>Como Aconteceu_ Janaína estava caminhando pelo calçadão Túlio Fiúza de Carvalho, quando, quase em frente a Loja VF, foi atingida por um Renault Sandero. O impacto da colisão a arremessou a alguns metros para frente e para cima, fazendo-a cair novamente sobre o capô do carro, até cair no chão. Logo, uma multidão se reuniu em volta dela e diversas pessoas tentaram ajudar. Um cordão humano foi feito entorno de Janaína e colocaram um papelão sobre ela, para que não pegasse sol, até chegar as ambulâncias.

Dia do Acidente

Na última sexta-feira (1°), Janaína resolveu ir ao Centro, logo após o almoço. Mais tarde, Adriana, que estava no seu local de trabalho, ficou sabendo de um acidente no calçadão. Recebeu ligação de uma amiga, perguntando se ela havia visto sobre o atropelamento. A professora conta que, naquela hora, não soube nada.

As imagens das vítimas começaram a chegar no WhatsApp de Adriana e numa das fotos ela viu uma mulher muito machucada: “Comentei: acho que essa menina é minha irmã”. Intrigada, ela resolveu ir ao calçadão. Nisso, no grupo da família, enviou a foto que recebeu e avisou aos parentes: “Perguntem onde anda a Janaína”.

Aos poucos, os familiares foram reconhecendo as roupas que Janaína havia saído naquele dia. Ao chegar no Centro, as vítimas já haviam sido levadas e Adriana encontrou somente um par de tamancos, com estampa florida. Na hora, reconheceu sendo da irmã e correu para o hospital.

Lá, mostrou a foto da irmã aos enfermeiros, que logo chamaram a médica para conversar com Adriana. “Daí foi onde eu recebi a notícia que ela já estava em cirurgia”. Janaína precisou retirar sangue dos pulmões, que foram perfurados, quebrou as duas pernas e o braço direito, tendo politraumatismo.

Dona Maria sentiu que algo estava acontecendo

Dona Maria Graça Corrêa, de 69 anos, ficou sabendo da notícia da filha somente às 17 horas de sexta, quando suas filhas foram em casa lhe avisar. Ela conta que ficou nervosa quando soube do acidente e sentiu vontade de ir ao Centro, ver se a filha estava bem, porque ela é acostumada a ir nas lojas.

A preocupação maior de dona Maria é também porque Janaína sofreu um atropelamento há três anos, no cruzamento das avenidas Dom Pedro II e Castelo Branco. Na época, teve pequenas escoriações. O motorista não teria visto Janaína e ela pode não ter notado o semáforo intermitente, devido o horário. Ela retornava para casa.

“Ela sai e eu sempre fico preocupada por causa do outro acidente”, Maria Graça Corrêa, Mãe de Janaína

 

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