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A fragilidade na segurança das escolas

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Fotos : Andressa Ramos

Câmeras, alarmes, cadeados e fechaduras não foram impedimentos para a ação de assaltantes, neste período de férias, em três escolas estaduais de Lages. Na Escola de Educação Básica Professor Armando Ramos de Carvalho, no Bairro Pró-Morar, por exemplo, em um dos furtos, um homem ficou por mais de duas horas na escola escolhendo o que poderia levar. Mesmo com o disparo do alarme, ele permaneceu no local e ninguém apareceu para impedir a ação criminosa.

O primeiro arrombamento de 2018, na escola, foi no dia 7 de janeiro, logo depois das 22 horas, o alarme disparou e o assaltante conseguiu levar mais de cinco itens de dentro da escola, dentre eles uma caixa completa de ferramentas. E as invasões não pararam por aí, na noite do dia 14, 20 garrafas de refrigerante e uma garrafa térmica foram levadas. Duas noites depois, entre dia 16 e 17, um homem aparece nas imagens de videomonitoramento por mais de duas horas. Diversos aparelhos eletrônicos foram carregados. Ainda, não satisfeitos, com a quantidade de número de invasões, os assaltantes entraram no colégio na noite do dia 20, último sábado, e furtaram mais equipamentos.

Luiz Anderson Antunes é diretor da escola há dois anos e vivencia dias de apreensão por ter mais uma sala arrombada. Ele frisa que não tem o que reclamar dos alunos e professores. “A escola é boa, tenho alunos e professores excelentes”. Ele pede à comunidade que ao verem a escola sendo roubada ou tiverem informações sobre o paradeiro dos objetos furtados, que avisem à direção ou à Polícia Civil.
O delegado da Polícia Civil, Frederico Cezar de Melo e Silva, comenta que o caso está sendo investigado e já há um suspeito, que inclusive tem passagens pela polícia.

“Sensores estavam estragados e não nos avisaram”, diz diretora

A direção da Escola de Educação Básica Francisco Manfroi, no Bairro Santa Mônica, não teria sido avisada pela empresa Orsegups que os sensores das portas estavam estragados e a unidade se tornou alvo fácil para os assaltantes. Quatro portas foram arrombadas na secretária e uma televisão foi furtada. Até agora ninguém foi encontrado. A diretora Eliane Alves de Oliveira da Silva Rodrigues encontrou as portas arrombadas no dia 9 de janeiro. “Parece que vieram só pra levar isso”. Mas não é a primeira vez que a escola foi arrombada. No ano passado, foram registrados dois arrombamentos com furtos. A cozinha e a sala de vídeo foram invadidas.

O portão da escola estava escorado na manhã de ontem

64% dos furtos são de madrugada

Em 2017, a Polícia Militar registrou ocorrências de furto em mais de 30 instituições de ensino, estaduais e municipais na cidade de Lages. 64% das ocorrências de arrombamento ocorreram na madrugada.  O tenente da Polícia Militar, Cristóvão de Oliveira Júnior, comenta que os furtos em instituições de ensino é uma preocupação da PM desde o início do ano passado. “Com base nisto, temos respondido com a intensificação do policiamento naquelas áreas com maior incidência de furtos na comunidade o que, naturalmente, inclui a comunidade escolar”, completou.

“É a invasão da nossa privacidade escolar”

A sensação de medo e invasão de privacidade escolar também está em quem trabalha na Escola de Educação Básica General José Pinto Sombra, no Bairro Guarujá. Há exatamente uma semana, no dia 16 de janeiro, quando chegou na escola, o presidente da Associação de Pais e Professores, Luiz Vieira, encontrou a porta do ginásio de esportes arrombada, correu para a sala de direção e falou sobre o que viu. Todos entraram no ginásio e o cenário era de vandalismo e furto. Urinaram pelo chão, desenrolaram a mangueira de emergência e quebraram o vidro da cantina. Um butijão de gás foi furtado.

A diretora da escola, Cleusa Straubel, comenta que chamou a empresa Orsegups, que é responsável pela segurança da escola, porém, a empresa foi até a escola somente na manhã de ontem e não conseguiu recuperar as imagens das câmeras de segurança, pois, o arquivo de gravação armazena apenas os últimos sete dias.

Para consertar o estrago com o arrombamento, a associação teve de tirar dinheiro do caixa, que seria utilizado para atividades escolares festivas, como Páscoa, Dia das Crianças entre outras datas comemorativas.

Em cinco anos de direção, Cleusa destaca que é a segunda vez que a escola é assaltada e fala sobre a sensação de medo. “É a invasão da nossa privacidade escolar. Quando o telefone toca a noite já penso que pode ser alguém ligando para avisar que a escola foi assaltada”. A diretora lembra também do apoio que tem da comunidade e acredita que quem entrou na escola não participa das ações da escola.

O delegado Jackson Guasselli Pessoa comenta que existem dificuldades em encontrar suspeitos para o crime, já que não há como recuperar as imagens das câmeras de segurança.

Orsegups não repassa informações à imprensa

Quem passa em frente às escolas estaduais de Lages percebe a fragilidade na estrutura de segurança. Muros quebrados, cercas de arames farpados derrubados, fios de câmeras de monitoramentos soltos e até portão fora do lugar.  Contratada pelo Governo do Estado de Santa Catarina, a empresa Orsegups é a responsável pela segurança das escolas. Se um alarme disparar, por exemplo, é responsabilidade dela, segundo os diretores, ir até à escola e verificar o que está acontecendo. Porém, não é o que se observa nos últimos dias. No colégio do Bairro Pró-Morar o alarme disparou por diversas vezes e a empresa não teria verificado o ocorrido.

Outro fato que chama a atenção é sobre o arquivamento das imagens, que fica disponível apenas por sete dias. Para sanar estas dúvidas, o Correio Lageano entrou em contato com a Orsegups, que recebe mais de R$ 3 milhões mensalmente para fazer a segurança das escolas da rede estadual. A empresa respondeu que está analisando o caso e repassará informações apenas à Secretaria de Educação, que, segundo a empresa, é a principal interessada sobre os casos de furto.

 

 

 

 

 

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