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A busca pela valorização de suas histórias e capacidades

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O jornalista Luiz foi um dos palestrantes do Seminário de Inclusão - Foto: Fernanda Zanella/ Divulgação

O pontealtense Luiz tem 25 anos, é jornalista e professor universitário, gosta de tocar guitarra e violão, jogar futebol, escrever poesias e transcrever seus pensamentos críticos. Marcos também tem 25 anos e é natural de Vidal Ramos.

Formado em Comunicação Institucional e pós-graduado em Design Gráfico e Produção Publicitária, ele é youtuber, toca violão e teclado, gosta de cantar, escrever, assistir filmes e séries, além de fazer caminhadas e frequentar a academia.

Se aqui no começo da matéria eu não te contasse o que ambos têm em comum, você demoraria para perceber, pois começou interessado pela história e o intelecto destes dois jovens, não é mesmo? Mas, afinal, o que eles têm em comum? Ambos falam com orgulho “sim, sou uma pessoa com deficiência”.

Eles lutam diariamente para transpassar os limites impostos velada ou descaradamente pela sociedade, que impedem a tantos outros jovens, adultos e crianças como eles, de se manifestarem e seguirem suas carreiras com plenitude. Não, eles não são super-heróis, tampouco vítimas que usam suas fragilidades para se sobressair.

Luiz Henrique Zart escreve para um jornal, dá aulas na universidade e faz trabalhos como jornalista autônomo. Ele tem paralisia cerebral e diplegia espástica, que causa alteração de marcha nos membros inferiores.

Em uma palestra recente (a primeira abordando sua própria deficiência), ele questionou a normalidade falando sobre seu modo de caminhar e se mostrando como alguém que não tem vergonha de suas limitações físicas.

“Um dia, a caminho da universidade, recebi alguns olhares que me revistaram até a alma, então, decidi que era um tema pertinente para abordar em palestra. Falei sobre o capacitismo, uma conduta discriminatória com quem tem deficiência, que naturaliza as capacidades corporais e considera incapaz, inferior ou incompleto qualquer sujeito que escape aos padrões de corpo socialmente aceitos. O que tenho são limitações físicas, nada mais”, enfatiza.

Devido a uma complicação pós-parto, Marcos Petry adquiriu uma desidratação profunda, o que lhe ocasionou três pontos de lesão no cérebro, além do rompimento de uma membrana no coração. Cresceu com muitos cuidados e estímulos neurológicos e, aos 7 anos, foi diagnosticado com espectro autista. Ele matém dois canais no Youtube (um sobre música e outro sobre autismo) e viaja para diversas cidades dando palestras sobre autismo de alto funcionamento.

Ao terminar seus estudos, Marcos conta que sentiu uma vontade tremenda de socializar as informações que adquiriu sobre a sua condição. O objetivo é tentar influenciar, positivamente, a vida de outras famílias, especialmente as que convivem com o espectro autista.

“Eu comecei a socializar com grupos de pais, de amigos, de alunos, de professores e muitas questões de bullying na escola, sofrimento e incompreensões vão sendo discutidos; e a sociedade vai construindo uma imagem diferente da pessoa com deficiência. Contribuir com a inclusão representa um debate muito poderoso, que prova que a pessoa com deficiência pode se integrar na sociedade, pode ser incluída pelo que ela faz de melhor. A pessoa com deficiência quer ser nivelada pelo seu melhor, quer acreditar que pode superar seus limites.”

Ao contrário da maioria da população com deficiência, que tem seus horizontes estreitados devido aos prejulgamentos da sociedade, Luiz e Marcos decidiram usar suas condições para provar que pessoas com deficiência não são incapazes, apenas não têm a mesma oportunidade de outras pessoas para mostrar o que sabem.

Marcos é youtuber e usa seu canal para tratar de temas relacionados ao espectro autista

Seminário debate as pessoas além da deficiência

Na última semana, Luiz e Marcos foram palestrantes do VI Seminário de Inclusão e V Encontro de Luta pelos Direitos da Pessoa com Deficiência, que iniciou na segunda-feira (17) e se encerra nesta sexta-feira (21).

É promovido pelo curso de Psicologia da Uniplac, em parceria com a Prefeitura de Lages, a Comissão Institucional de Acessibilidade da Uniplac, o Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência e o Centro Especializado em Reabilitação.

O evento, que neste ano teve como temática “Além da Deficiência”, é realizado anualmente para lembrar o Dia Nacional de Luta das Pessoas com Deficiência (21 de setembro). De acordo com a coordenadora do evento, Vivian de Oliveira, o foco desta edição foi demonstrar o que as pessoas são além da deficiência, pois, segundo ela, é muito comum que uma pessoa com deficiência seja vista por suas limitações e suas capacidades sejam deixadas em segundo plano.

“É preciso desmistificar o rótulo da ineficiência, que é muito presente. É preciso que deixemos de enxergar a deficiência, a cadeira de rodas, a muleta, o autismo ou a mobilidade reduzida, para pararmos de tratar o outro como incapacitado”, afirma, destacando que, embora a passos lentos, algumas coisas vêm mudando desde a sanção da Lei Brasileira de Inclusão, em 2015. “Nossa luta é para que essas leis sejam efetivadas”, completa.

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