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A arte como aliada para melhorar a renda de catadores

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Márcio posa ao lado de uma das fotos de sua exposição, que retrata o catador Jurandir, a quem ele descreve como “homem de muita consciência e com pouca oportunidade” - Foto: Núbia Garcia

Com olhar sensível e audaz, o fotógrafo e produtor cultural Márcio Machado, retratou o cotidiano dos catadores de materiais recicláveis de Lages. Foi com os registros fotográficos feitos durante 10 meses que ele acompanhou o cotidiano de 14 trabalhadores. Com isso, foram transformados em uma exposição, que leva o nome de “Ofício: Catador de papel”.

Como conviveu intensamente com os catadores neste período, Márcio começou a se sensibilizar com as necessidades de cada um. Foi então que teve a ideia de criar uma rede de colaboração para conserto ou doação de bicicletas e fornecimento de outros serviços que pudessem auxiliá-los em seu trabalho diário. Ao conversar com alguns dos fotografados, perguntou o que precisavam e como seria possível ajudar.

A resposta da maioria foi quase a mesma: “ensine as pessoas a separar lixo”. “Foi quando eu notei que o que a gente quer oferecer, nem sempre é o que a outra pessoa precisa. Doar bicicletas para eles, poderia soar como assistencialismo, e não é disso que eles precisam. Muitos têm no lixo o seu trabalho e sustento, então precisamos humanizá-los e mostrar a importância que têm pra sociedade”, comenta Márcio, se referindo ao fato de que retiram das ruas uma quantidade significativa de lixo que poderia acabar na natureza.

Ao acompanhar o cotidiano dos catadores, ele observou que, na maioria dos lugares por onde eles passavam, o lixo estava armazenado sem separação e a seleção para pegar os recicláveis precisava ser feita na hora.

“As pessoas não separam o orgânico do não-orgânico, o papel do plástico. Às vezes quem está desumanizado [o catador] tem mais consciência do que quem tem recursos, formação escolar e condições financeiras muito melhores. De onde a gente menos espera vem a educação para a importância da reciclagem”.

Objetivo é criar projeto modelo e depois ampliá-lo para toda a cidade

Encontrar uma forma de contribuir com os catadores ainda era a meta de Márcio, mas a forma de oferecer este suporte mudou drasticamente depois de conhecer o universo e o dia a dia deles. Ao invés de doar bicicletas ou prestar serviços, ele decidiu usar a arte para ajudar.

Foi assim que surgiu a ideia de criar um amplo projeto, que envolve teatro, artesanato, música e fotografia, e será levado para os bairros de Lages. O pontapé inicial é fazer com que a exposição “Ofício: Catador de papel” passe por alguns bairros e, a partir dela, as pessoas participem de uma oficina de artesanato com materiais recicláveis, assistam a uma peça de teatro com esta temática e conheçam uma banda que toca usando instrumentos feitos deste tipo de material.

Para viabilizar o projeto, Márcio está em busca de financiamento para a montagem do espetáculo, que será instrumento de conscientização para a população. Ele também precisa viabilizar a apresentação do grupo musical e a realização da oficina de artesanato.

“A fotografia é o principal ponto deste trabalho, porque valoriza a pessoa e eleva a um personagem principal, que é o catador. É uma forma de humanizar pessoas por trás do lixo”.

Uma vez viabilizado, o projeto será levado para alguns bairros, que servirão como modelo para formatá-lo e ampliar a sua execução. “Ensinando à população como separar o lixo a gente pode potencializar a possibilidade dos catadores melhorarem sua renda”, completa.

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