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A Argentina sofreu, mas arrancou a agônica vitória que trouxe a classificação às oitavas da Copa

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Foto: Fifa/ Getty Images/ Divulgação

Era um mata-mata antes das oitavas de final. Um dos momentos nos quais a Copa do Mundo nos brinda com seus épicos, entrelaçados por grandes histórias. Nesta terça-feira (26), foi a vez de a Argentina superar a desordem tática e a instabilidade emocional para buscar a classificação.

Messi abriu o placar com a costumeira qualidade, mas os sul-americanos cederam um pênalti, cometido por Javier Mascherano e convertido pela Nigéria, que afundou os comandados de Sampaoli na agonia. Foi preciso sofrer.

O nigeriano Ighalo perdeu chance claríssima, cara a cara com Franco Armani. E então, só aos 41, o Estádio de São Petersburgo explodiu: o zagueiro Rojo apareceu para mandar a bola para as redes e fechar o placar em 2 a 1 para a Albiceleste, em uma vitória agônica já perto do estouro do relógio. Agora, o time de Messi tem outro grande desafio pela frente, encarando a França no próximo sábado, às 11h.

Os times

A Nigéria vinha a campo exatamente com a mesma equipe que bateu a Islândia. O jovem Francis Uzoho no gol, e à sua frente três zagueiros: Leon Balogun, William Ekong e Kenneth Omeruo. No meio, uma linha com cinco jogadores.

Nas pontas, Bryan idowu e Victor Moses faziam as alas, com a função de marcar e, ao mesmo tempo, atacar os espaços deixados pela defesa Argentina. No comando de ataque, apenas Kelechi Iheanacho e Ahmed Musa, autor dos dois gols da vitória africana.

Já a Albiceleste faria o jogo de sua vida na Copa do Mundo. As alterações foram muitas, e começaram com a saída de Willy Caballero, após a vexatória falha na derrota diante da Croácia. Quem assumia, fazendo a estreia com a camisa alviazul era o arqueiro do River Plate, Franco Armani, já aclamado pelos torcedores.

Jorge Sampaoli deixou de lado o esquema com três zagueiros, claramente frágil e desorganizado. Escolheu a disposição com Nicolás Tagliafico e Gabriel Mercado pelas laterais, com Marcos Rojo e Nicolás Otamendi no miolo da zaga.

Ever Banega e Javier Mascherano formavam a dupla de volantes, de pouca velocidade e mais cadência diante dos contra-ataques dos africanos. Ángel Di María voltava ao time pela esquerda, acompanhado de Enzo Perez na meia. Lionel Messi foi adiantado para atuar mais próximo do gol, e quem ganhou a vaga foi Gonzalo Higuaín na frente.

O campinho de Nigéria x Argentina (Fifa.com)

O jogo

Enfrentar uma muralha não era exatamente uma novidade à seleção de Jorge Sampaoli. A diferença é que, se contra a Islândia havia mais consistência defensiva e diante da Croácia o ponto-chave foi o meio de campo dos europeus, a Nigéria formava duas linhas atrás, com cinco defensores e quatro cercando na faixa central do campo. A tentativa seria de contra-atacar usando a velocidade, uma das características dos alviverdes. A pressão argentina nos primeiros minutos era bem absorvida pelos defensores adversários, pressionando na marcação.

A Argentina tinha a posse e, apesar do nervosismo, tinha nos seus dois volantes o retrato de uma Albiceleste de extremos. Enquanto Mascherano entregou duas vezes bolas perigosas ao ataque africano, vacilando nos passes, foi justamente neste fundamento e na marcação ferrenha que o jogador do Sevilla se portou bem.

E no passe, ainda melhor. Na linha do meio de campo, o camisa 7 deu um belo lançamento, encontrando Lionel Messi pela direita. O camisa 10 superou Omeruo na velocidade, dominou na coxa esquerda, passou para o pé esquerdo sem deixar cair, e bateu de direita, cruzado, longe do alcance de Uzoho. O Estádio de São Petersburgo explodia como um tradicional estádio cardíaco de Buenos Aires, com Messi de joelhos, apontando para o céu.

O gol serviria para tirar a pressão que a seleção de Sampaoli carregava nos ombros. Mostrava uma disposição diferente das duas primeiras — e apáticas — partidas. Marcava a saída de bola e lutava em cada lance, trocando passes curtos para quebrar as tentativas das Super Águias.

Tinha em Banega o aumento da qualidade na saída de bola, liberando os avanços de Di María e Lionel Messi. Com mais lucidez, por pouco, a Albiceleste não ampliou o placar em duas oportunidades. Primeiro, aos 26, Messi quebrou a defesa africana lançando Higuaín.

Pipita, entretanto, finalizou em cima de Uzoho. Então, o camisa 10 chamou a responsabilidade. Di María foi lançado em contra-ataque e sofreu a falta na entrada da área, pela direita. Lionel Messi bateu firme, Omeruo tocou com a ponta dos dedos e a redonda carimbou a trave.

Logo aos três minutos da segunda etapa, a chance desperdiçada pelo craque do Barcelona faria falta. Isso porque em disputa dentro da área, Mascherano segurou Balogun e o árbitro assinalou o pênalti, confirmado pelo Assistente de Vídeo.

Da marca da cal, Victor Moses apenas esperou Armani se mover para mandar do outro lado. Assim, o peso e a responsabilidade eram devolvidos à albiceleste, com a Nigéria recuperando a segunda posição do Grupo naquele momento.

O grande desafio à seleção argentina era conseguir suportar o jogo pilhado que tanto evitou no primeiro tempo. O empate devolveu o jogo à situação anterior, fazendo as Super Águias se fecharem e a Argentina precisava lidar com a pressão da eliminação.

Se na volta do intervalo Odion Ighalo substituiu Iheanacho para aumentar a presença física na bola aérea africana, do lado sul-americano, Cristian Pavón, de boa temporada no Boca Juniors, entrou para dar a velocidade que Enzo Pérez não tem. A partir de então, os erros de passe e domínio começaram a se empilhar do lado argentino, claramente motivados pelo componente emocional dentro do campo.

Aproveitando esta instabilidade, as Super Águias chegaram com perigo aos 25. Moses partiu pela esquerda e se livrou de Mercado com uma caneta irreparável. Deu o passe para o meio, e com o corta-luz, a bola sobrou limpa para Ndidi bater de fora.

A bola passou sobre a baliza de Armani, que estava nela. Também Musa fazia um salseiro com os beques da Albiceleste. Ele arrancou diante da defesa descomposta e meteu para a área, procurando Ighalo. No meio do caminho Rojo conseguiu o corte da cabeça e a gorducha resvalou no braço de Rojo. O árbitro preferiu rever o lance, mas não julgou o lance digno de uma penalidade.

Cada tique-taque do relógio era uma palpitação aos argentinos. Em completa desordem, se lançaram ao ataque. Na pressão total, Sampaoli tirou Tagliafico, o lateral direito, e mandou Sergio Aguero a campo para povoar a área.

Mas foi o outro atacante, Higuaín, que desperdiçou mais uma chance em uma partida decisiva. Em uma das poucas descidas com mais liberdade, Aguero bateu para a área. O camisa 9 veio de trás e arrematou de primeira, mas mandou por cima.

Aos 38, Ighalo quase jogou a pá de cal nas esperanças dos portenhos, mas parou na grande defesa de Franco Armani. Intervenção que seria providencial. Porque faltando cinco minutos para o fim do tempo regulamentar, Mercado apareceu pela direita e mandou para a área de primeira.

O zagueiro Rojo, surpreendentemente, surgiu como uma flecha pelo meio. Canhoto, mandou de perna direita no canto baixo de Uzoho e estufar as redes. Para a explosão e delírio no Estádio de São Petersburgo. Ao mesmo tempo, a Croácia marcava o segundo, garantindo a liderança e afastando a possibilidade de a Islândia se classificar.

Já no fim dos acréscimos, com o estádio tomado por camisas azuis e brancas rodopiando no ar, Javier Mascherano ensanguentado ainda dentro de campo, Armani foi quem abraçou a bola e também a classificação argentina às oitavas. Os argentinos, então, extenuados, comemoravam, às lágrimas e aos abraços. Um capítulo para ficar na história das Copas, certamente.

O cara da partida

Marcos Rojo. O homem que deu a classificação às oitavas para a Argentina. Em meio ao nervosismo envolvido pelo ambiente do jogo, nas condições em que estava, o gol do zagueiro deixou para trás parte do drama iniciado pelo pênalti infantil de Mascherano. Messi foi bastante participativo, mesmo que na defesa. E se a Argentina não ganhou exatamente na bola, foi na emoção.

Como fica

Na bacia das almas, como foi nas Eliminatórias para a Rússia, a Argentina está nas oitavas. Com a vitória, deixa a Nigéria para trás mesmo sem ter apresentado um grande futebol na fase de grupos. Os Nigerianos, com um time bastante jovem, tem um futuro promissor, e ficam na terceira posição.

A Albiceleste encara, então, a França, no Sábado, dia 30. O palco será a Arena Kazan, às 11h. No outro jogo do grupo, a Croácia assegurou o primeiro posto e enfrenta a Dinamarca no dia seguinte, em Nizhny Novgorod, às 11h da manhã.

O Grupo D, com Croácia e Argentina classificadas

Por Luiz Henrique Zart

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