A esperança é que até o próximo final de semana as cerejeiras no Parque Jonas Ramos – o Tanque -, continuem floridas e coloridas. Isto porque, no dia 21 acontece o 1º Lages Matsuri, evento inédito na cidade, que celebrará os 110 anos de imigração japonesa no Brasil.
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Gilberto Massashi Ide, presidente da Associação Cultural Nipo Brasileira de Lages (ACNBL), está contente com a florada das cerejeiras, originárias da Ásia, na cultura japonesa chamada de sakura, eram associadas ao samurai cuja vida era tão efêmera quanto a da flor que se desprendia dessa árvore.
A ACNBL existe há cerca de 30, de acordo com Gilberto. Atualmente, são de 80 a 100 participantes que são imigrantes ou descendentes do país asiático. A organização surgiu quando o grupo começou a se reunir para celebrar a chegada de um novo ano.
Os encontros se estenderam para duas vezes e, há dois anos, as discussões de criar uma evento aberto ao público começaram. A ideia, além de celebrar a imigração, é fazer com as pessoas conheçam mais a cultura japonesa.
Sobre o idealizador
Gilberto chegou a Lages no final da década de 1970, quando veio estagiar na empresa Yakult. A intenção era passar seis meses na cidade e, então, voltar para São Paulo, onde nasceu. Seus pais imigraram para o Brasil em 1928, para trabalhar com fruticultura, já que tinham incentivo do governo. Casaram-se no Japão e começaram a constituir a família já em solo brasileiro. Caçula de 10 irmãos, dentro de casa falava apenas em japonês até os 7 anos. Por isso, até hoje, carrega um sotaque ao falar o Português.
Em Lages conheceu Lúcia, logo no primeiro dia, na Serra Catarinense. Devido a um problema de saúde do chefe da empresa em que trabalhava, Gilberto e Lúcia serviram como tradutores para a família também japonesa durante o tratamento.
Ali se aproximaram e começaram um namoro. Ela relembra que tudo aconteceu muito rápido e de forma inesperada, já que um japonês namorar uma brasileira não era comum. Conheceu a família de Gilberto e logo todos se aproximaram. Em seguida, casaram-se na igreja Nossa Senhora de Fátima, no Centro de Lages, e tiveram duas filhas.
Para Lúcia, adaptar-se à cultura japonesa não foi difícil. Inseriram alguns costumes na rotina da família, principalmente, a gastronomia e o vocabulário. Por causa disso, ela e as filhas conseguem entender o idioma.
Evento
A associação, em parceria com a Fundação Cultural de Lages, transformarão o Tanque em um ambiente japonês, com a exposição de roupas típicas, arte, oficinas de origami, mangá e apresentações culturais. Além disso, haverá barracas de culinária japonesa, com sushi, yakissoba, pastel e tempurá.
Na programação artística, o grupo de taiko Sakura Daiko fará apresentações, assim como exibições de artes marciais e música tradicional. Lúcia, que também participa da organização, explica que no final da tarde serão lançados, no lago do Tanque, barquinhos com velas, que representam na cultura oriental o pedido de coisas boas para quem os coloca na água.
I Lages Matsuri – 110 anos da imigração japonesa no Brasil
Quando: 21 de julho, sábado
Onde: Parque Jonas Ramos (Tanque)
Hora: A partir das 10h, com cerimônia de abertura às 11h
Atrações – Taikô (tambores japoneses), danças tradicionais japonesas, artes marciais, exposições, oficinas de mangá, origami e bonsai. Gastronomia com venda de pastel japonês, sushi e outros.